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14 janeiro, 2017

Chapecoense bate o Ituano e avança às quartas da Copinha


A Chapecoense deu mais um passo rumo na melhor campanha da equipe em uma edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na manhã desta sábado, no estádio Novelli Júnior, em Itu, o time catarinense venceu o Ituano por 1 a 0, garantindo uma vaga nas quartas de final competição. O adversário na próxima fase sairá do duelo entre Paulista e São Carlos, que jogam ainda neste sábado, às 17h30, em Jundiaí. 

O forte calor e o desgaste físico pela maratona de jogos parece ter influenciado o desempenho dos dois times ao longo dos 90 minutos. Com mais volume de jogo, o Ituano teve a chance de abrir o placar duas vezes no primeiro tempo com o camisa 9 Pedro Henrique, mas o atacante desperdiçou os dois lances que teve cara a cara com o goleiro Tiego. 

Esperando o adversário, a Chapecoense conseguiu abrir o placar com Vini. O camisa 8 aproveitou o cruzamento na área e com tranquilo escorou para marcar para o time catarinense. O gol caiu como um balde de água fria no time dono da casa, que muito nervoso não conseguiu sequer pressionar nos minutos finais. Chape nas quartas da Copinha pela primeira vez em sua história.

 fonte:globoesporte.globo.com 



Começa a demolição dos juros



Na manhã da quarta-feira 11, em seu gabinete no 20º andar do edifício-sede do Banco Central (BC), o presidente Ilan Goldfajn tinha um grande motivo para sorrir. O IBGE havia divulgado, às 9 horas, algo que, até meados de dezembro, os analistas duvidavam que pudesse acontecer. A inflação oficial em 2016 fechou em 6,29%, abaixo do teto da meta (6,50%). Além de poupá-lo de escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com a justificativa para o descumprimento da meta, o anúncio do IBGE sacramentou a reconquista da credibilidade do BC protagonizada por Ilan, como é conhecido no mercado financeiro.

É essa credibilidade que, a partir de agora, os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) colocam em jogo ao acelerar – corretamente, frise-se – a queda dos juros básicos, que passaram de 13,75% para 13% ao ano. A decisão, tomada na noite da mesma quarta-feira, surpreendeu a maioria dos economistas, que acreditavam num corte de meio ponto percentual. Mas houve quem antecipou a medida, como a equipe da gestora de recursos Mauá Capital, que precificou a queda de 0,75 ponto percentual.

“O Banco Central foi cirúrgico na sua atitude”, afirma Luiz Fernando Figueiredo, sócio fundador da Mauá e ex-diretor do BC (leia entrevista no link ao final da reportagem). Para tirar o País da maior recessão de sua história, no entanto, o governo ainda vai precisar de outras vitórias que, associadas a uma política monetária mais agressiva, poderão finalmente resultar num Produto Interno Bruto (PIB) positivo. Num raro momento de convergência, o setor produtivo e o mercado financeiro aplaudiram a decisão do Copom.

“O corte de 0,75 ponto percentual é um primeiro passo para a retomada do crescimento econômico e a geração de empregos que o Brasil precisa”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Além de reduzir a Selic, é preciso aumentar o crédito da economia para que as empresas invistam e as famílias consumam.” Na mesma linha, a Fecomércio RJ ressaltou que “reduzir o custo do crédito é fator-chave para a retomada do ânimo dos agentes econômicos e a necessária recuperação do consumo e do investimento”.

No mesmo dia, o Bradesco, o Banco do Brasil e o Santander anunciaram o repasse imediato da queda da Selic para as taxas cobradas de seus clientes. A redução, que tende a ser seguida pelas demais instituições financeiras, é bem-vinda dado o patamar elevadíssimo praticado no Brasil. A mais recente pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que a taxa média paga pelas pessoas físicas, em dezembro, era de 8,16% ao mês (156,33% ao ano) e a taxa média oferecida para as pessoas jurídicas era de 4,74% ao mês (74,32% ao ano).

“Com uma queda maior dos juros na ponta, os consumidores e as empresas terão a oportunidade de renegociar suas dívidas antigas, que são mais caras”, diz Antonio Carlos Machado, conselheiro da Anefac. “As condições serão menos ou mais favoráveis dependendo da concorrência entre os bancos.” Na avaliação da economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, o papel dos financiamentos será fundamental para lubrificar a roda do crescimento econômico, num processo que se dará em duas etapas. “O destaque nesse ano será o crédito voltado para o investimento das empresas, enquanto o consumo das famílias será o carro-chefe em 2018”, diz Tatiana, que projeta uma expansão de 0,7% do PIB em 2017.

“Hoje, a realidade é que não há o canal do crédito, seja para os indivíduos, seja para as empresas, devido ao custo extremamente alto do dinheiro.” Desde 2007, o BC monitora a evolução do crédito no Brasil. Até 2015, o volume de empréstimos bancários cresceu todos os anos, sem exceção. Em 2016, no entanto, o estoque de financiamentos recuou aproximadamente 2%, para uma carteira pouco superior a R$ 3,1 trilhões – o dado oficial será divulgado no fim de janeiro. Como esse montante de empréstimos para empresas e consumidores representa quase 50% do PIB, é unânime entre os economistas a análise de que a recuperação da economia depende diretamente, mas não exclusivamente, do aumento do crédito.

Sendo assim, o afrouxamento monetário do Copom contribui para esse processo ao baratear o custo dos empréstimos. Contribui, mas não resolve todo o problema. Para que uma operação de financiamento se concretize num ambiente recessivo é preciso que o cliente tenha confiança no futuro da economia, se dispondo a contrair uma nova dívida mesmo com o risco de perder o emprego. Na outra ponta, a instituição financeira precisa aprovar a operação mesmo ciente de que o tomador pode virar inadimplente se o desemprego atingi-lo. É justamente essa dificuldade em unir as duas pontas que explica, por exemplo, o tombo de 20,2% nas vendas de veículos em 2016 – o quarto ano consecutivo de retração.

Basta analisar as estatísticas da indústria automotiva para constatar que o papel do crédito foi fundamental nos tempos áureos, no início desta década, quando o setor chegou a vender 3,8 milhões de unidades por ano, ante o atual patamar de 2 milhões. “Hoje em dia, de cada dez clientes que tentam financiar um carro novo na concessionária, sete recebem um não como resposta dos bancos”, diz Alarico Assumpção Jr., presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). “Nos bons tempos, a proporção era a oposta, com sete aprovações em cada dez pedidos.”

O rigor excessivo das instituições financeiras tem incomodado os executivos das montadoras. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), apenas 53% dos carros novos estão sendo financiados, percentual considerado baixo em se tratando de um bem durável de alto valor. “Os bancos estão seletivos, mas esse quadro deve melhorar com a queda dos juros pelo Banco Central”, diz Antonio Megale, presidente da Anfavea. Para o setor de eletroeletrônicos, que também é extremamente dependente das compras parceladas, a queda da Selic representa um alívio.

Uma sondagem feita pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) mostra que 60% dos empresários acreditam em uma recuperação dos negócios ainda no primeiro semestre. Com dois anos seguidos de queda nas vendas e nos lançamentos, o mercado imobiliário também esfrega as mãos diante das perspectivas de barateamento do crédito de longo prazo. “A queda dos juros pelo Banco Central incentiva a produção e reduz a saída de recursos da caderneta de poupança, que é o nosso principal funding”, diz Flavio Amary, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Em 2016, a poupança registrou perda líquida de R$ 40,7 bilhões, o segundo pior resultado desde a criação do Plano Real.

Isso ocorreu porque muitos poupadores transferiram seus recursos para outras aplicações financeiros que oferecem retornos atrelados à Selic. Como as regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) determinam que 65% dos recursos depositados nas cadernetas devem ser destinados ao financiamento de moradias, o esvaziamento das poupanças é uma ameaça para o crédito imobiliário. “O interessante é que a queda da Selic também vai baratear o crédito imobiliário que não está atrelado à poupança nem ao FGTS”, diz Amary, que acredita numa recuperação das vendas de imóveis novos em 2017.

DESAFIOS Apesar de o crédito ser um motor importante da economia, os especialistas ressaltam que a recuperação do PIB depende de outras conquistas do governo. No âmbito fiscal, a aprovação da reforma da Previdência Social é fundamental para não inviabilizar a nova regra de expansão dos gastos públicos, que já está em vigor. Pela lei, as despesas só poderão crescer no mesmo ritmo da inflação do ano anterior. Além disso, a renegociação das dívidas dos Estados, com a adoção de contrapartidas fiscais, é vista como imprescindível para a estabilidade fiscal (leia destaque "Socorro antecipado" ao final da reportagem).

A boa notícia para os cofres públicos é que, por causa da queda da Selic, o país gastará menos com o pagamento do serviço da dívida. O Tesouro Nacional administra uma dívida interna de R$ 2,96 trilhões, dos quais 26% (R$ 770 bilhões) são de títulos pós-fixados, ou seja, seguem a oscilação da taxa Selic. Cada ponto percentual a menos de Selic significa que a União economizará R$ 7,7 bilhões por ano com o pagamento de juros. Se o aperto monetário total do Banco Central derrubar a taxa básica para um dígito, como parte do mercado está apostando, o Erário poupará mais de R$ 30 bilhões em apenas 12 meses.

A recuperação do PIB também passa pelo destravamento dos investimentos. Para isso, os empresários aguardam a retomada das concessões de infraestrutura. Em março, serão leiloados quatro aeroportos: Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza. O governo estuda privatizar Congonhas e Santos Dumont, além de desengavetar o plano de aviação regional. Há ainda a expectativa de leilões de rodovias, portos, ferrovias, além de oportunidades nas áreas de energia, petróleo e gás. Aos poucos o País vai resgatando sua credibilidade no exterior, atraindo recursos.

Foram US$ 78,8 bilhões em investimento estrangeiro direto nos 12 meses encerrados em novembro e mais US$ 70 bilhões previstos para 2017. Na segunda-feira 9, a Petrobras surpreendeu os analistas ao captar US$ 4 bilhões no exterior para uma demanda próxima de US$ 20 bilhões (leia destaque "País mais atrativo para investidor internacional" ao final da reportagem). Na quarta-feira 11, o presidente da estatal, Pedro Parente, anunciou uma expansão de 35,7% dos investimentos neste ano, totalizando US$ 19 bilhões. No auge do período pré-Lava Jato, a Petrobras chegou a representar 10% de todos os investimentos feitos no País.

Animado com as recentes notícias positivas, o presidente Michel Temer comentou, na quinta-feira 12, em evento na Praia Grande (SP), que “em pouco tempo” o Brasil terá juro “de um dígito”. “Vocês viram que os bancos já começaram a reduzir também as suas taxas de juros”, disse o presidente. “Nós estamos nesse trabalho e esse trabalho tem dado resultado, somado, naturalmente, à questão da queda da inflação.” A favor de Temer, há pela frente alguns dados positivos como a queda contínua da inflação, o dólar bem comportado e a colheita de uma safra agrícola recorde.

Na lista dos riscos, estão a disputa na base aliada pela presidência da Câmara dos Deputados, os impactos políticos da Operação Lava Jato e os potenciais estragos causados pela administração Donald Trump. Há ainda o fantasma do desemprego, que gera cautela nos consumidores. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que a taxa de desocupados no Brasil vai subir para 12,4% neste ano, quase um ponto percentual a mais do que em 2016.

Trata-se de um incremento de 1,2 milhão de pessoas na fila do desemprego, o que representa quase um terço de todos os trabalhadores que ficarão sem trabalho no mundo, neste ano. O cenário recessivo foi levado em consideração pelo Copom. No comunicado divulgado após a reunião, os diretores afirmam que “a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente”. O BC começou a fazer a sua parte ao iniciar a demolição da rocha de juros que travam o crescimento. A esperança é que Brasília viabilize os próximos passos para reativar o PIB.

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País mais atrativo para investidor internacional

Por Cláudio Gradilone

Desde 1991, quando o Brasil normalizou suas relações com a comunidade financeira internacional, o mercado tem uma praxe: aguardar a captação externa da Petrobras, normalmente em janeiro, para sentir o apetite dos investidores. Os problemas da estatal impediram que isso ocorresse entre 2014 e 2016, mas, neste ano, o mercado voltou à normalidade. E os indícios são favoráveis.

Na segunda-feira 9, a Petrobras captou US$ 4 bilhões em títulos globais. Os papéis de cinco anos pagaram 6,125% ao ano, abaixo dos 6,5% previstos inicialmente, e os de dez anos pagaram 7,375%, abaixo dos 7,5% previstos. A demanda chegou a US$ 20 bilhões, cinco vezes mais do que a captação. Dois dias depois, na quarta-feira 11, a empresa de celulose Fibria levantou US$ 700 milhões por dez anos, pagando 5,3% ao ano, ante os 6,125% previstos no início do processo, que pretendia levantar
US$ 500 milhões.

Finalmente, na quinta-feira 12 a Raízen fechou a captação de US$ 500 milhões por dez anos, com taxas ainda sendo negociadas. Segundo a empresa de informações financerias Dealogic, nos dez primeiros dias de janeiro os países emergentes captaram US$ 9,6 bilhões no mercado global, sendo mais da metade captações brasileiras. A melhora do cenário para o Brasil, aliado à pressa do mercado que quer fechar negócios antes da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro, estimulou os banqueiros de investimento a voltarem mais cedo do recesso de Ano Novo.

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Socorro antecipado

Por Gabriel Baldocchi

A crise fiscal do Estado do Rio de Janeiro cobrará um alto custo dos servidores. Além da proposta de aumentar a contribuição previdenciária, rejeitada pela Assembleia Legislativa no pacote de ajuste enviado pelo Executivo, os funcionários públicos estaduais podem sofrer cortes nos salários, com redução proporcional da jornada de trabalho. O pacote de socorro costurado pelo governador Luiz Fernado Pezão com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve envolver garantias para empréstimos de ao menos R$ 6 bilhões e incluir a venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), outro ponto visto com resistência pelo Legislativo estadual.

Somadas as iniciativas de corte de custo, suspensão no pagamento de juros e antecipações de receitas, o pacote de ajuste pode chegar a R$ 50 bilhões por um período de até quatro anos. Os detalhes serão apresentados nos próximos dias para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. A equipe do presidente Michel Temer havia elaborado um programa de ajuste a Estados com maior gravidade – além do Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul já decretaram calamidade financeira –, mas o projeto foi vetado no final do ano passado depois que o Congresso retirou contrapartidas exigidas pelo Ministério da Fazenda.

A intenção é evitar que a crise dos governos regionais não evolua para um colapso social ou um socorro frouxo, sem ajustes que possam evitar novas dificuldades no futuro. Entre as contrapartidas exigidas no projeto original, que autorizou a renegociação da dívida de outros Estados com a União, estava a proibição para contratar novos servidores e para conceder reajustes aos funcionários públicos.

fonte:.istoedinheiro.com.br

Febre amarela é investigada em morte de 80 macacos no ES



Aumentou para 80 o número de macacos mortos nos últimos dias, nas regiões Sul e Noroeste do Espírito Santo. A morte desses animais aponta para a suspeita de febre amarela, mas o Estado ainda não é considerada área de risco, e a vacina deve ser aplicada apenas em quem vai viajar para locais com surto da doença.

“A ocorrência de mortes desses animais já é um alerta. Então existe essa preocupação”, diz Gilton Almada, coordenador do Centro de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

“É importante monitorar para conseguir preceder. Precisamos trabalhar na investigação. Se confirmado, vai ser vacinado o município onde foi encontrado o macaco morto com febre amarela”, diz Gilton. O resultado da investigação sai em cerca de 20 dias.

São 11 casos em Colatina; 17, em Pancas; 34, em Ibatiba; quatro, em Baixo Guandu; quatro, em Governador Lindenberg; e 10, em Irupi. Até a manhã de sexta-feira (13), eram 54 casos. Mas, ao longo do dia, a Prefeitura de Ibatiba confirmou o aumento de 10 para 34 casos na cidade.

Em Colatina, quem também procurou o posto de vacina logo cedo foi Carlos Roberto Rachid, 64 anos, aposentado (Foto: Brunela Alves/ A Gazeta)Em Colatina, quem também procurou o posto de vacina logo cedo foi Carlos Roberto Rachid, 64 anos, aposentado (Foto: Brunela Alves/ A Gazeta)
Transmissão

Há duas formas de transmissão e de febre amarela. Uma é a silvestre; a outra, urbana.“Na silvestre, a infecção é entre macacos e mosquitos silvestres, que só vivem na floresta. Se uma pessoa entra na floresta, é picada por esse mosquito e vai infectada com o vírus para a cidade, o Aedes aegypti pica essa pessoa e retransmite a doença para outras. Isso caracteriza a febre amarela urbana”, explica o infectologista Aloísio Falqueto.


Ou seja, o mesmo mosquito que transmite a dengue, a zika e a chikungunya é o responsável por disseminar, em área urbana, a febre amarela. “A preocupação maior é não deixar chegar a doença aqui”, diz Aloísio Falqueto.

Em sua forma mais branda, a febre amarela se parece com uma virose simples. Pode apresentar febre, mal-estar, enjoos, vômitos e dores musculares. Na mais grave, icterícia (coloração amarelada de pele e olhos), urina escura, falência renal, falência do fígado e de outros órgãos e até morte.

Vacina
Embora haja a suspeita de que os animais mortos estejam com febre amarela, “não há o que se preocupar”, como disse Gilton, com febre amarela entre humanos no Estado. “Não há transmissão de febre amarela em cidades desde 1942”, diz o coordenador.

Por isso, o Espírito Santo não é um Estado com recomendação para vacinar a população. Ela só indicada para quem vai viajar para regiões com alerta para febre amarela, que não é o caso de nenhuma das cidades do Estado.

O alerta vale, por exemplo, para quem vai para Minas Gerais, que teve 38 mortes por febre amarela e decretou situação de emergência em 152 cidades.

10 primatas mortos em Colatina
Pelo menos dez macacos da espécie barbado (bugio) foram encontrados mortos na divisa de duas propriedades em Itapina, distrito de Colatina, sendo seis animais na área do bancário Dimas Deptuski, 50 anos, e quatro primatas na área do aposentado Luis Carlos Lerback, de 62 anos.

Além dos encontrados na última quinta-feira, Dimas Deptuski contou que no dia 2 de janeiro enterrou outros dois macacos na sua propriedade. “Eu não tinha noção de que eles poderiam estar com suspeita de febre amarela. Achei que fosse coisa da natureza mesmo”, conta.

O bancário ainda disse que só foi possível saber da morte de mais macacos porque, além de andarem em bandos, eles costumavam ficar perto da sua casa. “Se eles não ficassem mais próximos da gente, não iríamos dar conta de que eles tinham morrido aqui.”

Luis Carlos afirmou que esta é a primeira vez que acontecem tantas mortes de macacos na região, mas que diante da suspeita de febre amarela, foi ao posto para se vacinar. “A gente fica um pouco assustado. É melhor prevenir do que remediar. Se não for confirmado, pelo menos estou imunizado com a vacina.”

Já Dimas Deptuski disse que por enquanto não vai tomar a vacina. “Vou esperar o resultado da análise primeiro.”

De acordo com os proprietários, dois macacos mortos encontrados na propriedade foram levados para análise. A Secretaria de Estado da Saúde informou que os resultados devem sair em 20 dias.

Corrida por vacina em Colatina
Em Colatina, Região Noroeste, aumentou a procura pela vacina de febre amarela por quem vai viajar para as áreas de risco. A dona de casa Joaquina dos Santos, 57 anos, pretende visitar parentes em Teófilo Otoni, Minas Gerais, considerada uma área de risco de febre amarela. Diante da suspeita de casos no Estado, ela foi ao posto de saúde na sexta-feira.

O aposentado Carlos Roberto Rachid, 64, também foi o posto. “Vou levar meu filho em Muriaé, Minas Gerais, e decidi tomar. Tem muita gente na fila para isso também. Agora, estou me sentindo protegido”, finaliza.

De acordo com o Protocolo do Ministério da Saúde, quem mora no Espírito Santo não precisa ser vacinado, a menos que vá se deslocar para áreas de risco. O Espírito Santo não é considerado área de risco. Quem planeja sair do Estado e viajar para áreas de risco de febre amarela, como Minas Gerais, São Paulo e Estados do Norte do país, deve se certificar de que está devidamente protegido contra a doença.

Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta o viajante a buscar uma Unidade Municipal de Saúde caso ainda não tenha tomado a primeira dose da vacina ou a dose de reforço. Se for a primeira vez que a pessoa é vacinada, a dose deve ser aplicada pelo menos dez dias antes da viagem para que o organismo produza anticorpos contra a doença.

Minas: situação de emergência com 38 mortes
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que as notificações de mortes de pessoas com suspeita de febre amarela subiram para 38 no Estado. O número de casos suspeitos chegou a 133. O governo decretou situação de emergência em 152 cidades.

Segundo a Secretaria de Saúde, das 38 mortes, dez são óbitos prováveis da doença, porque os pacientes tiveram exame laboratorial preliminar positivo. A confirmação ainda depende de mais investigação.

Já as notificações de casos suspeitos subiram, em relação ao último balanço, de 110 para 133. Na sexta, o governo decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias nas áreas do Estado onde há surto de febre amarela.

O decreto autoriza a adoção de medidas administrativas necessárias ao combate da doença.

Suspeita
O aumento de casos suspeitos de febre amarela em Minas pode estar relacionado à tragédia de Mariana, em 2015, segundo a bióloga da Fiocruz Márcia Chame. A hipótese tem como ponto de partida a localização das cidades mineiras que identificaram até o momento casos de pacientes com sintomas da doença. Grande parte está na região próxima do Rio Doce, afetado pelo rompimento da Barragem de Fundão.

“Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, afirmou a bióloga.

A Fundação Renova, criada pela Samarco para coordenar ações de reparação na área atingida pelo desastre de Mariana, não se manifestou sobre as declarações da bióloga da Fiocruz. Por meio de nota, informou estar em curso um diagnóstico sobre a biodiversidade na região.

Turistas
O coordenador do Centro de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Gilton Almada, não crê que possam vir pessoas infectadas de Minas Gerais para o Espírito Santo, até pela falta de condições físicas do infectado.

Mas ele alerta para que capixabas que forem viajar para locais com casos confirmados de febre amarela, inclusive Minas Gerais, tomem a vacina. “O ideal é tomar a vacina dez dias antes”, aconselha o coordenador.

Almada diz ainda que o turista mineiro também pode tomar a vacina já que terá que retornar para áreas com perigo de infecção. As vacinas estão disponíveis em postos de saúde municipais.

Repelente esgotado na farmácia e população local com medo
O número de macacos mortos em Ibatiba, Região do Caparaó, chegou a 34. Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, somente após resultado do material colhido nos animais a imunização deve ser distribuída à população. Os moradores estão com medo, e o estoque de repelentes de algumas farmácias acabou por causa da grande procura.

Segundo o médico veterinário da Secretaria de Saúde de Ibatiba, Adenir Gomes de Oliveira, 90% dos animais estavam em estado de decomposição, mas foi possível recolher amostra de tecido dos órgãos, principalmente do fígado, dos demais macacos. O material foi encaminhado ao Instituto Evandro Chagas, no Pará. O resultado sai em 20 dias.

O produtor rural Luciano Lucindo Lima encontrou um dos macacos mortos em seu sítio na localidade de Córrego das Perobas e acionou a prefeitura. Apesar de não haver casos confirmados da doença no Estado, as populações dos municípios vizinhos estão em alerta.

Em Irupi, a prefeitura confirmou o aparecimento de 10 macacos mortos. As vacinas, para pessoas que irão para locais de surto, acabaram e chegará nova remessa na próxima segunda.

Febre amarela
Tira-dúvidas
Há recomendação para vacinação no Estado?
O Espírito Santo não é um Estado com recomendação para vacina. A não ser que a pessoa viaje para regiões com o registro da doença.

O que significa para a saúde pública a quantidade de macacos mortos?
Todos os anos há surtos de doenças em animais, fenômeno chamado epizootia, o equivalente nos animais à epidemia para humanos. Quando um surto desses acontece entre macacos, é um alerta de que podem ser vítimas de febre amarela. Investigar esses casos ajuda a antecipar ações contra a doença em meio urbano.

Quais são os sintomas dela?
Em casos mais brandos, a sensação é de uma virose comum, com febre, mal-estar, enjoos, vômitos, dor muscular. Em casos graves, icterícia, urina escura, falência renal, falência do fígado, levando à hemorragia, falência de outros órgãos e morte.

Duram quanto tempo?
A evolução da doença dura de sete a dez dias. Mesmo curada, a pessoa pode apresentar por meses alguns dos sintomas.

Quem teve pode ter de novo?
Não, a pessoa fica imunizada.

É considerada grave?
Sim, com taxa de mortalidade de 15% a 30% entre os infectados.

Como funciona a transmissão?
Mosquitos silvestres picam macacos infectados e espalham a doença entre os animais, gerando uma epizootia, o equivalente à epidemia. A doença pode chegar à área urbana caso a pessoa entre na floresta e lá seja infectada. Ao retornar para a cidade e ser picada pelo Aedes aegypti, esse mosquito que só vive em área urbana, torna-se transmissor da febre amarela.

Quem pode ser vacinado?
A vacina só é indicada em cidades em estado de alerta. No Espírito Santo, nenhuma está nessa situação. Só não é indicada para grávidas e para pessoas com imunodeficiência. Não há efeitos colaterais.

Qual é a validade da vacina?
A política atual do Ministério da Saúde contra Febre Amarela recomenda uma dose de reforço, depois de dez anos da primeira vacina, para crianças e adultos.

fonte: globo.com